Eu sei que já venho um bocado atrasado, eu sei. No entanto, tal como eu ainda desejo bom ano àquelas pessoas que ainda não tinha visto em 2019, acho que ainda é pertinente falar dos melhores trabalhos de 2018.
Antes de levar hate e ser acusado de que não percebo nada do movimento, faço questão de dizer (como se ainda fosse preciso fazê-lo) de que a próxima lista é completamente subjetiva. Poderão nem se tratar dos trabalhos que têm mais qualidade, são simplesmente os que eu mais senti.
Posto isto, seguem agora a lista dos 10 melhores álbuns ou EP’s de 2018 (sem dúvida).
Cálculo – Tourquesa
Que eu ia gostar do álbum do Cálculo era quase certo. Mas gostar tanto, nem eu estava à espera. Esta lista não tem propriamente uma ordem mas coloquei o Tourquesa no topo da lista pois foi o que mais gostei do ano passado. Posso falar em amor à primeira escuta. Está tudo lá: sonoridade única, a boa vibe e o skill de um grande MC como é o Hugo. Ah e foi tudo feito por ele desde os instrumentais até às rimas.
Toy Toy T-Rex – Chá De Camomila
Esta foi sem dúvida a surpresa do ano. Acerca de dois nem conhecia bem o artista, a primeira vez que o ouvi foi por volta de 2017 numa faixa em conjunto com o meu amigo guitarrista Frankie Baptista que gentilmente me passou a faixa que haveria de sair meses depois. Não me cativou. No final do ano passado a minha equipa da Hip Hop Rádio realizou uma entrevista ao Toy Toy, adorei a pessoa e depois fui finalmente ouvir com ouvidos de escutar o álbum. Tenho de voltar uns bons anos atrás para encontrar um artista que me tivesse surpreendido tanto. É algo completamente fora da caixa que evito descrever ou catalogar, só se percebe quando se ouve.
Papillon – Deepak Looper
É quase consensual que o álbum de estreia do membro da Grognation foi o melhor álbum do ano e eu percebo porquê: qualidade aliada ao inesperado. Papillon saiu completamente do seu registo de grupo e fez um trabalho inédito, muito com o cunho de Slow j, que o produziu quase na totalidade. Simplesmente não é o melhor álbum do ano para mim porque não é o meu estilo e não o senti tanto, no entanto tenho a certeza que é um álbum que já entrou para a história do Hip-Hop Tuga.
Conjunto Corona – Santa Rita Lifestyle
“Puto, os Corona vão aí Lisboa, pede lá acreditação que quero ir cobrir o evento”. Quem me disse isto foi Carlos Almeida, o meu locutor do programa “Rapresentação” no Algarve. Sim, ele quis deslocar-se de propósito de Faro para vir a este concerto. Quis e fez, eu arranjei as acreditações e acompanhei-o ao concerto de um coletivo que era completamente desconhecido para mim. estamos a falar num evento que aconteceu há bem pouco tempo, início de janeiro. Quando cheguei ao concerto vi uma energia em palco enorme e um público dos mais fiéis que já vi a cantarem todas as letras que, por sinal, são de sentido bem humorado. Tive de ir pesquisar o último albúm deles mal saí do evento e quando o fiz, adorei o que ouvi. A qualidade está toda lá mas para mim isso não é o mais importante em Corona. Já dei por mim a andar na rua enquanto oiço a música deles e a rir à toa. Há algo melhor?
Estraca – Estraca
Confesso que tive alguma dificuldade em fazer esta lista porque nem todos os álbuns que estão aqui eu senti realmente. É o caso do álbum de estreia do Estraca que está muito bom e decidi colocá-lo em detrimento de outros. G-Funk foi de longe a minha faixa preferida de um MC que é muito bom no seu estilo de intervenção mas aqui demosntra que pode ser igualmente bom ou até melhor noutros registos.
Sam The Kid – Mechelas
Que dizer? É o Sam The Kid. “Sendo assim” mal saiu tornou-se logo um clássico do Hip-Hop Tuga. Sim, é a única faixa de Samuel nesta compilação de temas de 2016, 2017 e 2018 mas todos os outros são produzidos por ele. Era impossível este trabalho não estar nesta lista.
Nerve – Auto-Sabotagem
Não foi o trabalho de Nerve que mais gostei no entanto eu gosto tanto deste artista que não o podia pôr de fora desta lista. Ácido como sempre, está aqui um EP como uma sonoridade que continua a ser única em Portugal. Nerve está para o Rap português como Fernando Pessoa está para a literatura portuguesa. Para mim é o melhor liricista da tuga sem dúvida. “Chibo”, single do EP que foi libertado antes desde sair foi o preferido para mim. O vídeo-clip é uam obra-de-arte visual.
Nasty-Factor – Adrenalina
Este foi o álbum mais underrated do panorama do Hip-Hop nacional para mim, Um bom MC, bons beats, boas participações, boas faixas. Não sei o que falhou para este albúm ter o reconhecimento que devia. Nasty Factor lançou-se no ano passado pela primeira vez a solo tal como o seu companheiro de grupo Papillon, no entanto, contrariamente a este apostou numa sonoridade mais parecida à Grognation o que talvez tenha ajudado a não criar tanto buzz. Não havia o fator novidade. É injusto sinceramente pois trata-se de um álbum com bastante qualidade e atitude. Quem nunca abanou a cabeça ao som do refrão de “Escáfia”?
X-tense – Rosa Dragão
X-Tense voltou e voltou melhor do que nunca. Passaram-se vários anos desde o anterior álbum mas a atitude está lá toda. X é um dos MC’s que merecia estar no topo da tuga há muito tempo e simplesmente acho que não está porque nem toda a gente percebe as dicas dele. Ainda acredito que este álbum seja a consagração dele no panorama nacional. Todas as faixas são espetaculares sejam as rimadas ou as mais cantadas e melódicas. Importante não esquecer que o álbum tem todo um conceito que explica o seu título e que segundo X-tense só será percebido ouvindo-o do início ao fim.
Mike El Nite – Inter-Missão
Óbvio que Mike El Nite é um dos rappers mais carismáticos de Portugal. Sempre gostei dele. A questão é que “Inter-Missão” faz-me indicar a terceira surpresa desta lista. Simplesmente adorei toda a história por trás deste albúm, Nite mete tudo arranjadinho. E o que eu mais gosto é que este álbum “precisava” de sair, não foi nada pensado com antecedência, simplesmente aconteceu um conjunto de situações a Mike El Nite que este decidiu partilhar. A história está contada no álbum… e na BD, que como vocês já viram aqui no blog, fiz questão de comprar.